Reabilitação da Missão do Arcanjo São Miguel de Chiritse-Macanga

No dia 10 de Novembro, a Missão do Arcanjo São Miguel de Chiritse, Posto Administrativo de Chizolomondo, na Macanga, viveu um dia de festa, a sua pascoa ressuscitadora. Depois de anos de violência e abandono, a missão mãe das paróquias dos distritos da Macanga, Chiuta e Chifunde voltou a erguer-se e demonstrar que está viva no coração do povo e da Diocese de Tete. Fundada em 1957 pelos missionários Jesuítas vindos da Missão de Lifidzi, na Angónia, e situada na margem esquerda do rio Chiritse, que lhe deu o nome; a Missão de São Miguel foi a primeira missão fundada entre a população Chewa da antiga administração da Macanga. Já nos finais do século XIX, os missionários da Missão de Boroma tinham percorrido as terras altas da Macanga, mas não foi possível fundar uma missão católica, tendo então preferido a Angónia. Macanga foi por isso durante muitos anos terra de passagem de missionários que se deslocavam de Boroma para Lifidzi e vice-versa. Os Padres Luciano Ribeiro e Arnaldo Gomes Lacerda, e mais tarde o Padre Miguel Ferreira da Silva, cuja memória é ainda muito viva entre a população, fundaram a missão, a qual foi um baluarte da luz da fé e da educação entre aquela população que vivia num ambiente muito isolado. Nas escolas da Misssão de Chiritse formaram-se muitos jovens da região, os quais beneficiaram de uma educação de qualidade.

Os anos depois da independência nacional foram dramáticos para a missão. Além da sua nacionalização e transformação no centro educacional piloto, o que doeu mais foi a proibição imposta aos missionários de visitar as comunidades cristãs. Foram anos de grande sofrimento humano e espiritual. o pior ainda estava para vir, com a guerra civil que devastou a região a partir de 1985 e que destruiu as infra-estruturas da missão. Com oa advento da paz, a missão de Chiritse continuou abandonada e também esquecida pela própria diocese de Tete. Foi durante anos assistida a partir da Angónia pelos padres jesuítas, entre eles se destaca os padres Domingos Silva e David Ferreira da Silva, um dos grandes apóstolos da Macanga. Em 2013, com a chegada dos Padres Redentoristas, foi criada a Paróquia de Cristo Rei de Furancungo e as comunidades cristãs de Chiritse foram integradas na nova paróquia. A partir de 2022 a Missão de Chiritse foi desanexada de Furancungo e passou a ter vida própria. Faltava reabilitar a missão do estado de ruína  a que tinha sido votada. No início de 2025, diocese de Tete e fiéis de Chiritse, sob a orientação do Irmão Serafino Piras, iniciaram o trabalho de reconstrução da missão. Reergeu-se e reabilitou-se o essencial. Hoje a missão está bonita e o povo está contente. O Bispo de Tete, acompanhado com os Padres de Furancungo, Raul e António Matosinho, no dia 10 de Novembro, celebraram a Missa de reabertura da missão. Ainda não há missionários residentes em Chiritse. mas já há casa para Padres e Irmãs lá viverem quando chegarem. Como São João Baptista, a Missão de Chiritse diminuiu em importância e território, para dar à luz e lugar a outras paróquias: Mavudzi Ponte, Manje, Furancungo, Nkantha e Luia. Todavia, continuará a ser mãe e e mestra das missões da Macanga, Chifunde e Chiuta. 


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