Diocese de Tete de Luto pela morte do Padre Franco Gioda

Após doença prolongada faleceu esta madrugada o Padre Franco Gioda, Missionário da Consolata em Tete. Após doença prolongada havia viajado para Itália para um período de repouso e exames médicos. A sua situação foi-se agravando e um mal incurável, entretanto diagnosticado, acabaram por lhe arrancar a vida.

O Padre Franco foi um vivo retrato de amizade e sensibilidade pastoral em relação a todos.

Nasceu em Turim, Itália, em 1938. Sentindo o apelo à vida missionária, deixou o seminário diocesano e ingressou nos Missionários da Consolata onde foi ordenado sacerdote em 1963.  

Serviu com dedicação e amor muitas comunidade cristãs no Niassa, onde chegou em 1970. Trabalhou nas missões de Maiaca, Nipepe, Maúa, Marrupa, Cuamba e Mecanhelas. Serviu a Igreja com dedicação e paixão. Durante a guerra civil percorreu milhares de quilómetros de bicicleta para levar a Palavra de Deus, a Eucaristia e a consolação às comunidades cristãs dispersas.

Sofreu emboscadas, passou fome e sede, socorreu feridos, enterrou mortos. Não tinha medo, confiou e contou sempre com a protecção do Alto.

Em 2012, já com 74 anos de idade, aceitou acompanhar o Bispo Dom Inácio Saúre para Tete. O seu grande e corajoso coração missionário levou-o a visitar as comunidades cristãs abandonadas, da Marávia e do Zumbo.

Em 2014, com os Padres Jacinto e Eduardo abriu a Paróquia de Fingoè, vivendo de forma percária, abenegada e profundamente feliz. Dedicou-se com perícia pastoral e muito sacrifício à animação e criação de comunidades cristãs nas missões de Uncanha e de Zumbo.

Em 2018 fundou o Centro Catequético São Barnabé e São Paulo de Uncanha para a formação de catequistas, o seu sonho missionário que soube concretizar.

Em 2019 aceitou o desafio de ir trabalhar para a cidade de Tete. Restaurou a paróquia de São Paulo e transformou-a numa paróquia viva e missionária.

A pedido do Bispo de Tete, D. Diamantino Antunes, retomou a evangelização do norte do distrito de Changara. Fundou a paróquia de Matambo. Visitou todos os povoados à medida que, meticulosamente desenhava o mapa das estradas de missão que percorria e ia desbravando. Verdadeiro pioneiro abriu novas comunidades, verdadeiro apóstolo, formou catequistas. Deu-se totalmente até ao fim, sem medida. Ardia no seu coração o fogo da caridade e a paixão pela missão. Sempre disponível para tudo e para todos

Por onde passou continua a ser uma referência de bondade, fé e verdade. Que todos, ao confrontarmo-nos com o seu desaparecimento físico, nos  deixemos inspirar pela sua vida, a sua obra e essencialmente pelo seu vivo testemunho de fé, simplicidade, arrojo e bondade.

Em tudo amou e serviu. Viveu totalmente para Deus e para os outros. Um exemplo de caridade e amor ao próximo. Um percurso que viveu dizia "na cruz. Quando vivemos na cruz, nada mai importa"

Tendo cumprido sua missão ao lado dos seus, e contagiado todos com a luz da espiritualidade que dele emanava foi chamado a viver na glória do Senhor.

Seja-lhe dado, agora, participar da eternidade que lhe acendia um brilho no olhar e que o levava a dizer não temer a morte, pois esperava o Paraíso.

Assim seja.


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